Compra da Serra Verde avança enquanto Brasil busca ampliar cadeia de terras raras
A compra da Serra Verde pela USA Rare Earth avança enquanto o Brasil busca ampliar sua capacidade de transformar terras raras em metais, ligas e ímãs.

Unidade da Serra Verde em Minaçu (GO), mineradora de terras raras que está em processo de aquisição pela americana USA Rare Earth. (Imagem: Divulgação/Serra Verde).
A possível compra da Serra Verde, mineradora de terras raras em operação em Goiás, pela americana USA Rare Earth chama atenção para uma diferença importante: extrair esses minerais é apenas o começo de uma cadeia que termina em produtos de maior transformação industrial, como metais, ligas e ímãs.
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A USA Rare Earth informou nesta segunda-feira (24) que garantiu os recursos previstos para a estrutura financeira ligada à operação. São US$ 1,55 bilhão, incluindo US$ 750 milhões aportados pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos.
Isso ainda não significa que a Serra Verde foi comprada. A aquisição depende da aprovação dos acionistas em assembleia marcada para 28 de agosto, além das demais condições previstas para a conclusão do negócio.
Se a transação for concluída, a mina Pela Ema, em Minaçu (GO), será incorporada à plataforma internacional da empresa americana. A USA Rare Earth controla a Less Common Metals, no Reino Unido, ligada à produção de metais e ligas, e desenvolve capacidade para fabricar ímãs nos Estados Unidos.
Da mina ao ímã: por que a extração é só uma etapa
A Serra Verde produz terras raras como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses elementos são importantes para fabricar ímãs de alto desempenho usados, por exemplo, em veículos elétricos, equipamentos de energia e aplicações militares. Mas existe um caminho entre retirar o material da mina e chegar ao ímã.
Depois da extração, os elementos precisam passar por outras etapas industriais, que podem incluir separação e refino. Depois, podem seguir para a fabricação de metais, ligas e ímãs. Cada uma dessas fases exige instalações e tecnologias específicas.
É nesse ponto que aparece o desafio brasileiro. Estudos conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para a Estratégia Nacional de Terras Raras apontam a necessidade de o país avançar da produção mineral para etapas de maior transformação.
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Assim, possuir reservas de terras raras e ter uma mina comercial em funcionamento não significa, por si só, realizar toda a cadeia industrial dentro do país.
Brasil também desenvolve tecnologia para fabricar ímãs
O país já tem projetos voltados às etapas posteriores à mineração. Em maio, o MME acompanhou, em Minas Gerais, o MagBras, projeto dedicado ao desenvolvimento de tecnologia nacional para a fabricação de ímãs permanentes de terras raras.
A diferença está no estágio e na localização das atividades. A potencial compradora da Serra Verde já controla uma empresa ligada a metais e ligas no Reino Unido e desenvolve capacidade para fabricar ímãs nos Estados Unidos. No Brasil, projetos e políticas buscam ampliar a transformação desses minerais no próprio país.
Isso não permite concluir que as terras raras extraídas em Goiás necessariamente deixarão o Brasil para serem transformadas no exterior, nem que o país ficará limitado à mineração. As informações disponíveis não comprovam esses cenários.
A votação de 28 de agosto poderá definir mais uma etapa da aquisição da Serra Verde. Independentemente do resultado, permanece uma questão industrial para o Brasil: quanto da cadeia que existe entre a mina e o produto final poderá ser desenvolvida dentro do país







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